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PCGuia > Hardware > Braço de ferro entre placas gráficas
 
 
  MARÇO 2007

Tendo em conta a vasta oferta de chipsets 3D, escolher uma combinação vencedora é mais difícil do que parece. A PCGuia dá-lhe uma ajuda

 
     
 
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Ora aqui está um desafio interessante para um braço-de-ferro. A recente evolução do desempenho 3D no que toca à renderização foi de tal forma rápida que uma placa gráfica topo de gama tem hoje mais capacidade de processar pixels do que muitos dos simuladores militares usados na Força Aérea. E é mais do que provável que, no espaço de cinco anos, possamos ter no desktop poder suficiente para editar um filme ao melhor estilo das produções que saem de Hollywood. Poderemos inclusive manipular digitalmente as representações menos bem conseguidas e dar a certos actores uma possibilidade de serem nomeados para um Óscar.

Nos últimos dois anos, os dois grandes nomes do universo dos gráficos para PC, a ATI e a Nvidia, têm vindo a talhar o mercado em diversos segmentos. De facto, os novos chipsets gráficos são vendidos para todos os gostos. É possível encontrar à venda placas gráficas desde os 75 euros, para quem procura um modelo de gama baixa, até aos 600 euros, para quem pretende instalar no PC uma verdadeira bomba. Isto até pode ser benéfico para o consumidor, uma vez que existe uma variedade tal que é possível encontrar respostas para todas as necessidades. No entanto, também levanta um problema, na medida em que toda esta abundância leva a uma clara dificuldade no momento da escolha, sendo muitas vezes difícil separar o trigo do joio. Aliás, conhecemos bem esta realidade, tal a quantidade de leitores que nos ligam todas as sextas-feiras com dúvidas sobre a compra da próxima placa gráfica.

A GeForce 7950GX2 domina na resolução padrão de 1280x1024 e porta-se bem a 1600x1200. Mas, se quiser ir para os 1920x1200 ou até aos 2560x1600, precisará de uma configuração em CrossFire com duas X1950 ou de uma sistema SLI com um par de GeForce 8800GTX
Para piorar ainda mais as coisas, existe uma enorme tabela de características e funcionalidades tecnológicas que acaba por tornar bastante complexa a tarefa de comprar diferentes modelos, mesmo que se encontrem na mesma gama. Já deverá ter ouvido falar em pixel pipes, fragment shaders, vertex units, largura de banda do bus, tamanho da memória, shader models, capacidades multi-GPU e suporte para encriptação de conteúdo… só para referir alguns dos termos.

Por onde começar, então? O melhor será perceber antes de mais quais são as principais diferenças entre os GPUs da Nvidia e da ATI, particularmente devido à transição que a primeira está a fazer da conhecida série de processadores gráficos GeForce 7 para a nova e promissora família de placas baseadas em GeForce 8. Mas, coloquemos por enquanto de lado esta nova série, até porque a eficiente e eficaz série 7 permanece talvez como a mais popular e mais bem sucedida família de placas gráficas 3D de sempre. Muito próxima da série que a antecedeu, a GeForce 6, o chip de vídeo GeForce 7 transportou da geração anterior essencialmente o mesmo conjunto de funcionalidades DirectX 9. De resto, e apesar de a Nvidia já ter melhorado o desempenho HDR (high dynamic range) na série 6, a incapacidade de combinar HDR com um anti-aliasing mais suave manteve-se na gama 7. Também a qualidade do filtro anisotrópico, que se prende com a capacidade de se processarem objectos e superfícies vistas de ângulos oblíquos, manteve-se pobre na série 7, tendo assim herdado mais um ponto negativo da série 6.

O sete da sorte?
Os dois grandes nomes do universo dos gráficos para PC, a ATI e a Nvidia, têm vindo a talhar o mercado em diversos segmentos
Além de tudo isto, em muitos aspectos a gama 7 é uma família de placas gráficas antiquada, o que quer dizer que tem uma arquitectura de pipeline tradicional, unidades de pixel e de vértice discretas e um controlador de memória convencional – o que representa necessariamente más notícias. De facto, o que a série 7 oferece é uma francamente completa gama de modelos, com cada vez mais pixel pipes e unidades de vértice à medida que se sobe na hierarquia. Significa isto que, quanto mais tiver para gastar, mais desempenho terá.

A Nvidia também teve uma atenção especial ao poder do pixel shader. Em relação ao GPU GeForce 6, a série 7 emite o dobro da potência em termos de shader (pipe por pipe). Também não é de menos salientar que a Nvidia trabalhou no duro juntamente com software houses e programadores de jogos de modo a poder assegurar um desempenho óptimo com os mais populares e espectaculares títulos disponíveis no mercado. Apesar de a gama GeForce 7 ser fraca nalgumas áreas do desempenho do shader, como são os casos do controlo de fluxo e do branching, sem dúvida que a Nvidia se assegurou de que os programadores eram bem dirigidos.

Outro benefício de se ter uma arquitectura relativamente simples é contar com um GPU fisicamente pequeno, o que faz com que os chips saiam mais baratos, possibilitando assim a criação de um produto como a GeForce GX7950 GX2 (isto é, com duplo GPU) por um preço relativamente acessível. Por tudo isto, a mistura da arquitectura madura e do design compacto da série 7 com as fortes relações de desenvolvimento estabelecidas, resulta num desempenho DirectX 9 extremamente competitivo, o que confere a cada um dos modelos produzidos uma muito interessante relação preço/qualidade.

O que significa o DX10
Para aqueles que não nos têm acompanhado nas últimas edições, o
DirectX 10 e os shaders unificados significam, pelo menos em teoria, um desempenho em jogos massivamente melhor por parte da placa gráfica.
Cada pipeline numa placa compatível com DX10 (as série 8 da Nvidia são a primeira aparição com a nova API para o Windows Vista) é programável, o que quer dizer que cada pipeline consegue lidar com uma variedade de tarefas. Ou seja, não se limitará a ficar à espera enquanto outras partes específicas da placa estiverem atarefadas.
Esta aproximação é diferente daquela até agora, na qual os componentes com tarefas específicas apenas faziam o que foram concebidos para fazer.
Também marca um grande crescimento
em termos de eficácia, o que resulta numa placa que pode fazer ainda mais – mais objectos, texturas mais nítidas, água
mais parecido com o real, entre muitos outros aspectos.
 
Não pense que já dissemos tudo sobre a gama GeForce 7. É claro que não poderíamos deixar escapar um outro aspecto muito importante – o SLI. Nos primeiros dias, a plataforma multi-GPU da Nvidia foi considerada um pouco estranha. Hoje, depois de dois anos no mercado, é (merecidamente) reconhecida como muito eficaz e de fácil utilização. Quaisquer duas placas com o mesmo chipset, independentemente da marca ou do fabricante, podem ser combinadas para disponibilizarem aproximadamente o dobro da capacidade de processamento. Apesar de um par de placas gráficas não fazer geralmente sentido num novo sistema (uma só placa mais poderosa costuma conseguir obter melhores resultados), sem dúvida que é uma excelente forma de trazer de novo à vida um sistema de jogos mais antigo.

Simples e bruta
Mas se a série GeForce 7 pode ser considerada equilibrada e eficaz, embora também seja simples e bruta, o que dizer da sua arqui-rival da ATI, a família de GPUs X1000? No seu lado melhor, a série X1000 é a mais elegante e aquela que tem a mais avançada tecnologia DirectX 9 no mundo, oferecendo uma fantástica qualidade de imagem, um conjunto de características impressionante e um excelente desempenho. Em poucas palavras, são daqueles tipos de chips que surgem quando são os engenheiros (e não os homens do marketing) que desenvolvem o projecto.

O seu ponto-chave de maior força reside no mais sofisticado e capaz Shader Model 3 actualmente disponível. Estas unidades de pixel shader não são apenas superiores aos shaders da GeForce 7 em termos de gestão de instruções avançadas de shader, controlo de fluxo e branching, como também representam meio caminho andado entre um design de GPU discreto e unificado, sendo uma aproximação daquilo que o futuro nos irá trazer. A ATI também brindou os GPUs X1000 com um avançado controlador de memória ring-bus, maximizando a largura de banda disponível. Por fim, mas não por último, cada membro da série X1000 é capaz de combinar uma renderização HDR de total precisão com anti-aliasing e pode produzir um filtro anisotrópico de excelente qualidade.

As placas gráficas baseadas na série GeForce 8 oferecem um desempenho DX9 imbatível e uma qualidade de imagem impecável

Porém, nem tudo é perfeito. Na verdade, a família X1000 esconde um par de horríveis segredos. Em primeiro lugar, o design complexo do chip leva a uma elevada quantidade de transístores, o que significa maior quantidade e consumo de energia face à série GeForce 7. Enquanto que o desenho avançado do ring-bus produz excelentes resultados nas placas topo de gama, nos modelos mais abaixo como os baseados no chip X1600 os resultados são bem menos impressionantes.

Em segundo lugar, está o maior problema da série X1000, que dá pelo nome de CrossFire. Isto porque, quando apareceu, o sistema SLI da Nvidia apanhou a ATI totalmente de surpresa. Como resultado, as duas primeiras gerações do CrossFire foram um imenso mar de confusão entre chips e placas. No geral, o CrossFire não se aproximava – nem sequer em termos de simplicidade – A0o SLI. Finalmente, a ATI acabou por lançar no mercado o seu primeiro GPU nativo para CrossFire, o X1950Pro, que veio acabar com a necessidade de se ter uma placa mestra no sistema e que conseguiu minimizar a desvantagem que havia para o SLI em quase todas as áreas. E sem dúvida que o futuro é mais risonho, à medida que a nova gama de GPUs R600 vai ficando mais perto da luz do dia.

Design de shader unificado
Resta-nos falar sobre a nova gama de placas gráficas baseadas em GeForce 8, e em relação às quais muito temos falado nos últimos meses. Por isso, vamos apenas dizer que elas representam não apenas o primeiro GPU com suporte por hardware para o novo API de multimédia da Microsoft (e do seu Windows Vista), o DX10, como também os primeiros chips 3D do mundo com shader unificado. No entanto, só saberemos quão boa é esta nova família não só quando a ATI lançar a sua própria interpretação do suporte DX10, como também quando surgirem os primeiros jogos preparados para o novo API da Microsoft.

Para já, podemos apenas concluir que as placas gráficas baseadas na série GeForce 8 oferecem um desempenho DX9 imbatível e uma qualidade de imagem impecável. A um preço elevado, é claro.

Como testámos
Todas as placas foram testadas em resoluções apropriadas para cada categoria. As placas de baixo custo correram a 1024x768 e a 1280x1024; as de gama média, a 1280x1024 e a 1600x1200; e as de topo de gama, a uns desafiantes 1920x1200 e uns ainda mais exigentes 2560x1600. Nada mais simples: quanto maiores forem as framerates, melhor.

 
     
 
 
 
     
 
 
     
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