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Ora
aqui está um desafio interessante
para um braço-de-ferro. A recente evolução
do desempenho 3D no que toca à renderização
foi de tal forma rápida que uma placa gráfica
topo de gama tem hoje mais capacidade de processar
pixels do que muitos dos simuladores militares usados
na Força Aérea. E é mais do que
provável que, no espaço de cinco anos,
possamos ter no desktop poder suficiente para editar
um filme ao melhor estilo das produções
que saem de Hollywood. Poderemos inclusive manipular
digitalmente as representações menos
bem conseguidas e dar a certos actores uma possibilidade
de serem nomeados para um Óscar.
Nos últimos dois anos, os dois grandes nomes
do universo dos gráficos para PC, a ATI e a
Nvidia, têm vindo a talhar o mercado em diversos
segmentos. De facto, os novos chipsets gráficos
são vendidos para todos os gostos. É possível
encontrar à venda placas gráficas desde
os 75 euros, para quem procura um modelo de gama baixa,
até aos 600 euros, para quem pretende instalar
no PC uma verdadeira bomba. Isto até pode ser
benéfico para o consumidor, uma vez que existe
uma variedade tal que é possível encontrar
respostas para todas as necessidades. No entanto, também
levanta um problema, na medida em que toda esta abundância
leva a uma clara dificuldade no momento da escolha,
sendo muitas vezes difícil separar o trigo do
joio. Aliás, conhecemos bem esta realidade,
tal a quantidade de leitores que nos ligam todas as
sextas-feiras com dúvidas sobre a compra da
próxima placa gráfica.
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A GeForce
7950GX2 domina na resolução
padrão de 1280x1024 e porta-se bem
a 1600x1200. Mas, se quiser ir para os
1920x1200 ou até aos 2560x1600,
precisará de uma configuração
em CrossFire com duas X1950 ou de uma sistema
SLI com um par de GeForce 8800GTX |
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Para piorar ainda mais as coisas,
existe uma enorme tabela de características e funcionalidades
tecnológicas que acaba por tornar bastante complexa
a tarefa de comprar diferentes modelos, mesmo que se
encontrem na mesma gama. Já deverá ter
ouvido falar em pixel pipes, fragment shaders, vertex
units, largura de banda do bus, tamanho da memória,
shader models, capacidades multi-GPU e suporte para
encriptação de conteúdo… só para
referir alguns dos termos.
Por onde começar, então? O melhor será perceber
antes de mais quais são as principais diferenças
entre os GPUs da Nvidia e da ATI, particularmente devido à transição
que a primeira está a fazer da conhecida série
de processadores gráficos GeForce 7 para a nova
e promissora família de placas baseadas em GeForce
8. Mas, coloquemos por enquanto de lado esta nova série,
até porque a eficiente e eficaz série
7 permanece talvez como a mais popular e mais bem sucedida
família de placas gráficas 3D de sempre.
Muito próxima da série que a antecedeu,
a GeForce 6, o chip de vídeo GeForce 7 transportou
da geração anterior essencialmente o
mesmo conjunto de funcionalidades DirectX 9. De resto,
e apesar de a Nvidia já ter melhorado o desempenho
HDR (high dynamic range) na série 6, a incapacidade
de combinar HDR com um anti-aliasing mais suave manteve-se
na gama 7. Também a qualidade do filtro anisotrópico,
que se prende com a capacidade de se processarem objectos
e superfícies vistas de ângulos oblíquos,
manteve-se pobre na série 7, tendo assim herdado
mais um ponto negativo da série 6.
O
sete da sorte?
| Os dois grandes nomes do universo dos gráficos para PC, a ATI
e a Nvidia, têm vindo a talhar o mercado em diversos segmentos |
Além de tudo isto, em
muitos aspectos a gama 7 é uma
família de placas gráficas
antiquada, o que quer dizer que tem uma arquitectura
de pipeline tradicional, unidades de pixel e de vértice
discretas e um controlador de memória convencional – o
que representa necessariamente más notícias.
De facto, o que a série 7 oferece é uma
francamente completa gama de modelos, com cada vez
mais pixel pipes e unidades de vértice à medida
que se sobe na hierarquia. Significa isto que, quanto
mais tiver para gastar, mais desempenho terá.
A Nvidia também teve
uma atenção especial ao poder do pixel
shader. Em relação ao GPU GeForce 6, a
série 7 emite o dobro da potência em termos
de shader (pipe por pipe). Também não é de
menos salientar que a Nvidia trabalhou no duro juntamente
com software houses e programadores de jogos de modo
a poder assegurar um desempenho óptimo com os
mais populares e espectaculares títulos disponíveis
no mercado. Apesar de a gama GeForce 7 ser fraca nalgumas áreas
do desempenho do shader, como são os casos do
controlo de fluxo e do branching, sem dúvida que
a Nvidia se assegurou de que os programadores eram bem
dirigidos.
Outro benefício de se ter uma arquitectura relativamente
simples é contar com um GPU fisicamente pequeno,
o que faz com que os chips saiam mais baratos, possibilitando
assim a criação de um produto como a
GeForce GX7950 GX2 (isto é, com duplo GPU) por
um preço relativamente acessível. Por
tudo isto, a mistura da arquitectura madura e do design
compacto da série 7 com as fortes relações
de desenvolvimento estabelecidas, resulta num desempenho
DirectX 9 extremamente competitivo, o que confere a
cada um dos modelos produzidos uma muito interessante
relação preço/qualidade.
O
que significa o DX10
Para
aqueles que não nos têm acompanhado
nas últimas edições, o
DirectX 10 e os shaders unificados significam,
pelo menos em teoria, um desempenho em jogos massivamente
melhor por parte da placa gráfica.
Cada pipeline numa placa compatível com
DX10 (as série 8 da Nvidia são a
primeira aparição com a nova API
para o Windows Vista) é programável,
o que quer dizer que cada pipeline consegue lidar
com uma variedade de tarefas. Ou seja, não
se limitará a ficar à espera enquanto
outras partes específicas da placa estiverem
atarefadas.
Esta aproximação é diferente
daquela até agora, na qual os componentes
com tarefas específicas apenas faziam o
que foram concebidos para fazer.
Também marca um grande crescimento
em termos de eficácia, o que resulta numa
placa que pode fazer ainda mais – mais objectos,
texturas mais nítidas, água
mais parecido com o real, entre muitos outros aspectos. |
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Não pense que já dissemos tudo sobre
a gama GeForce 7. É claro que não poderíamos
deixar escapar um outro aspecto muito importante – o
SLI. Nos primeiros dias, a plataforma multi-GPU da
Nvidia foi considerada um pouco estranha. Hoje, depois
de dois anos no mercado, é (merecidamente) reconhecida
como muito eficaz e de fácil utilização.
Quaisquer duas placas com o mesmo chipset, independentemente
da marca ou do fabricante, podem ser combinadas para
disponibilizarem aproximadamente o dobro da capacidade
de processamento. Apesar de um par de placas gráficas
não fazer geralmente sentido num novo sistema
(uma só placa mais poderosa costuma conseguir
obter melhores resultados), sem dúvida que é uma
excelente forma de trazer de novo à vida um
sistema de jogos mais antigo.
Simples
e bruta
Mas se a série GeForce 7 pode ser considerada
equilibrada e eficaz, embora também seja simples
e bruta, o que dizer da sua arqui-rival da ATI, a família
de GPUs X1000? No seu lado melhor, a série X1000 é a
mais elegante e aquela que tem a mais avançada
tecnologia DirectX 9 no mundo, oferecendo uma fantástica
qualidade de imagem, um conjunto de características
impressionante e um excelente desempenho. Em poucas
palavras, são daqueles tipos de chips que surgem
quando são os engenheiros (e não os homens
do marketing) que desenvolvem o projecto.
O seu ponto-chave de maior força reside no mais
sofisticado e capaz Shader Model 3 actualmente disponível.
Estas unidades de pixel shader não são
apenas superiores aos shaders da GeForce 7 em termos
de gestão de instruções avançadas
de shader, controlo de fluxo e branching, como também
representam meio caminho andado entre um design de
GPU discreto e unificado, sendo uma aproximação
daquilo que o futuro nos irá trazer. A ATI também
brindou os GPUs X1000 com um avançado controlador
de memória ring-bus, maximizando a largura de
banda disponível. Por fim, mas não por último,
cada membro da série X1000 é capaz de
combinar uma renderização HDR de total
precisão com anti-aliasing e pode produzir um
filtro anisotrópico de excelente qualidade.
| As placas gráficas baseadas na série
GeForce 8 oferecem um desempenho DX9 imbatível e uma qualidade de
imagem impecável |
Porém, nem tudo é perfeito. Na verdade,
a família X1000 esconde um par de horríveis
segredos. Em primeiro lugar, o design complexo do chip
leva a uma elevada quantidade de transístores,
o que significa maior quantidade e consumo de energia
face à série GeForce 7. Enquanto que
o desenho avançado do ring-bus produz excelentes
resultados nas placas topo de gama, nos modelos mais
abaixo como os baseados no chip X1600 os resultados
são bem menos impressionantes.
Em segundo lugar, está o maior problema da série
X1000, que dá pelo nome de CrossFire. Isto porque,
quando apareceu, o sistema SLI da Nvidia apanhou a
ATI totalmente de surpresa. Como resultado, as duas
primeiras gerações do CrossFire foram
um imenso mar de confusão entre chips e placas.
No geral, o CrossFire não se aproximava – nem
sequer em termos de simplicidade – A0o SLI. Finalmente,
a ATI acabou por lançar no mercado o seu primeiro
GPU nativo para CrossFire, o X1950Pro, que veio acabar
com a necessidade de se ter uma placa mestra no sistema
e que conseguiu minimizar a desvantagem que havia para
o SLI em quase todas as áreas. E sem dúvida
que o futuro é mais risonho, à medida
que a nova gama de GPUs R600 vai ficando mais perto
da luz do dia.
Design de shader unificado
Resta-nos falar sobre a nova gama de placas gráficas
baseadas em GeForce 8, e em relação às
quais muito temos falado nos últimos meses.
Por isso, vamos apenas dizer que elas representam não
apenas o primeiro GPU com suporte por hardware para
o novo API de multimédia da Microsoft (e do
seu Windows Vista), o DX10, como também os primeiros
chips 3D do mundo com shader unificado. No entanto,
só saberemos quão boa é esta nova
família não só quando a ATI lançar
a sua própria interpretação do
suporte DX10, como também quando surgirem os
primeiros jogos preparados para o novo API da Microsoft.
Para já, podemos apenas concluir que as placas
gráficas baseadas na série GeForce 8
oferecem um desempenho DX9 imbatível e uma qualidade
de imagem impecável. A um preço elevado, é claro.
Como testámos
Todas as placas foram testadas em resoluções apropriadas para cada
categoria. As placas de baixo custo correram a 1024x768 e a 1280x1024; as de
gama média, a 1280x1024 e a 1600x1200; e as de topo de gama, a uns desafiantes
1920x1200 e uns ainda mais exigentes 2560x1600. Nada mais simples: quanto maiores
forem as framerates, melhor. |
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